segunda-feira, 29 de novembro de 2010

O que é o Parto Humanizado?

Uma importante questão a ser esclarecida é que o termo "Parto humanizado" não pode ser entendido como um "tipo de parto", onde alguns detalhes externos o definem como tal, como o uso da água ou a posição, a intensidade da luz, a presença do acompanhante ou qualquer outra variável. A Humanização do parto é um processo e não um produto que nos é entregue pronto.
Acredito que estamos a caminho de tornar cada vez mais humano este processo, isto é, tornar cada vez mais consciente a importância de um processo que para a humanidade sempre foi instintivo e natural e que por algumas décadas tentamos interfirir mecanicamente, ao hospitalizarmos o nascimento e querer enquadrar e mecanizar em um formato único as mulheres e o evento parto.
O termo “humanização” carrega em si interpretações diversas. A qualidade de “humano” em nossa cultura quase sempre se refere à idéia arraigada na moral cristã de ser bom, dócil, empático, amável e de ajudar o próximo. Nesse contexto, retirar a mulher de seu “sofrimento” e “acelerar” o parto através de medicações e de manobras técnicas ou cirúrgicas e é uma tarefa nobre da medicina obstétrica e assim vem sendo cumprida.

Mas há um porém neste tipo de intervenção. Um olhar mais atento na prática atual da assistência ao parto revela uma enorme contradição entre as intervenções técnicas ou cirúrgicas e as suas conseqüências no processo fisiológico do parto e na saúde física e emocional da mãe e do bebê. Um olhar ainda mais atento nos processos culturais, emocionais, psíquicos e espirituais envolvidos no parto revelam novos e norteadores horizontes, tal qual a importância, para mãe e filho, de vivenciar integralmente a experiência do nascimento.

A qualidade de humano que se quer aqui revelar envolve os processos inerentes ao ser humano, os processos pertinentes ao ciclo vital e a gama de sentimentos e transformações que a acompanham. O processo de nascimento, as passagens para a vida adolescente e adulta, a vivência da gravidez, do parto, da maternidade, da dor, da morte e da separação são experiências que inevitavelmente acompanham a existência humana e por isso devem ser consideradas e respeitadas no desenrolar de um evento natural e completo como é o parto. Muitas e muitas mulheres ao relatarem seus partos via cesariana mostram a frustração de não terem parido naturalmente, com as próprias forças, os seus filhos. Querem e precisam vivenciar o nascimento de seus filhos de forma ativa, participativa, inteira. Viver os processos naturais e humanos por inteiro muitas vezes envolve dor, incômodo, conflito, medo. Mas são estes mesmo os “portais” para a transição, para o crescimento, para o desenvolvimento e amadurecimento humano.

A humanização proposta pela ‘humanização do parto’ entende a gestação e o parto como eventos fisiológicos perfeitos (onde apenas 15 a 20% das gestantes apresentam adoecimento neste período necessitando cuidados especiais), cabendo a obstetrícia apenas acompanhar o processo e não interferir buscando ‘aperfeiçoá-lo’.


Humanizar é acreditar na fisiologia da gestação e do parto.
Humanizar é respeitar esta fisiologia, e apenas acompanhá-la.
Humanizar é perceber, refletir e respeitar os diversos aspectos culturais, individuais, psíquicos e emocionais da mulher e de sua família.
Humanizar é devolver o protagonismo do parto à mulher.
É garantir-lhe o direito de conhecimento e escolha.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Pioneirismo no São Francisco: 1º Parto na água na Maternidade Municipal de Juazeiro


A Maternidade Municipal de Juazeiro realizou no dia 22 de outubro, o primeiro parto na água, assistido pelas enfermeiras obstetras Waldirene e Regina. O parto na água é uma das diversas maneiras de permitir um nascimento mais natural e humanizado pois possibilita o relaxamento da mãe e contato pele a pele com o filho. Esse método de assistência é mais um serviço que está sendo oferecido para as gestantes da unidade. Segundo o diretor médico da Maternidade, Álvaro Pacheco, o parto na água está sendo uma novidade implantada pela atual gestão. “Até então, nenhuma maternidade pública e nem particular oferecia o serviço na cidade”, informou.



Para a dona de casa, Cláudia da Conceição Batista, a primeira experiência foi aprovada. “Muita coisa mudou por aqui. Tive meu primeiro filho em 2008 e não recebi tantos cuidados como hoje. Tive um parto mais tranqüilo, sem muita dor e acompanhada dos
familiares. Até minha recuperação está sendo mais rápida e estou mais relaxada. Adorei. Não tenho do que reclamar, pois as mudanças estão visíveis e para melhor”, frisou.


De acordo com Álvaro, para fazer o parto na água a gestante precisa passar antes por uma avaliação clínica, além do seu perfil psicológico, que é analisado. “O parto na água oferece vantagens tanto para a mãe como para o bebê. Ajuda a aliviar a dor, sem precisar tomar medicamentos e protege o bebê, já que a mãe não vai precisar tomar remédios, transmitindo melhor os nutrientes para o filho. O bebê também nasce em ambiente mais agradável, dentro da água morna e com mais conforto”, explicou.


Além do parto na água, o paciente ainda recebe um total atendimento humanizado. “A gestante desde a chegada a unidade fica ao lado de alguém da família. A orientação é que a paciente passe pela triagem, para saber se vai ficar em observação ou não, trabalho de parto e na hora do parto acompanhada pelos entes queridos, como forma de tranqulizar a mãe. Com o parto humanizado, onde é permitida a presença de um familiar durante o procedimento, o afeto é estimulado e o acolhimento necessário dado para ambos”, completou o diretor médico.

Para qualificar ainda mais o atendimento, a Maternidade possibilita ainda o alojamento conjunto, em que o bebê sadio fica junto da mãe logo após o nascimento. O objetivo é estimular o aleitamento materno, bem como orientá-la sobre a sua saúde e a do recém-nascido