segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Sexualidade na gravidez.

Se a gravidez provoca muitas alegrias também traz muitas dúvidas, inclusive no campo da sexualidade. Ficam aqui algumas das principais dúvidas esclarecidas.

O sexo durante a gravidez é seguro?
O sexo durante a gravidez é seguro e saudável, desde que não existam indicações médicas em contrário. No entanto, uma mulher grávida deve evitar sexo durante a gravidez se:
  • Os seus partos anteriores foram prematuros
  • Se a sua cervix estiver dilatada
  • Se já teve abortos espontâneos
  • Se teve sangramento vaginal
  • Se tem uma gravidez múltipla
  • Se sofre de placenta prévia
  • Se existe fuga de líquido amniótico
  • Se ela ou o parceiro sofreram de alguma DST
Na ausência deste tipo de contraindicações, poderá ter sexo até cerca de 2 semanas antes da data prevista do parto. No entanto certifique-se sempre com o seu médico, pois cada caso é um caso.
Que cuidados ter?
Devem existir cuidados para que durante o sexo não exista pressão no abdómen da mulher; para evitar este risco existem posições sexuais mais adequadas. Também não é aconselhado sexo violento e penetrações demasiado profundas pois poderão ser dolorosas. O sexo deverá ser algo suave durante o tempo da gravidez. Deverá evitar sexo em banheiras e em ambientes aquáticos, ou em locais que possam provocar quedas ou riscos. Também deverá ser evitado o uso de lubrificantes ou cremes que possam provocar reações alérgicas.
O sexo magoará o bebé?
O bebé não sofrerá ou será magoado com o ato sexual. A membrana protetora que sela a cerviz ajuda a proteger o bebé; o saco amniótico e os fortes músculos do útero também protegem o bebé. E embora o bebé possa mexer-se mais durante um grande orgasmo, será devido ao seu coração bater mais rápido e não porque ele está a sofrer.
Que posições são aconselhadas durante a gravidez?
A gravidez é uma boa oportunidade de colocar a criatividade ao serviço da vida sexual. Especialmente durante o segundo trimestre, é boa ideia evitar estar longos períodos de tempo de costas, mediante este facto as posições mais aconselhadas incluem a mulher por cima, posição colher (ambos lado a lado de costas) e a posição de cão (mulher de gatas e homem por trás). No segundo e especialmente terceiro trimestre a mulher poderá sangrar um pouco depois da relação, isto acontece devido ao facto dos vasos sanguíneos que estão na superfície da cervix, poderem rebentar, mas isto não é necessariamente alarmante ou problemático.

 

 

 


Terei as mesmas sensações de sempre?

Para algumas mulheres, fica melhor ainda; para outras, nem tanto. O aumento do fluxo sanguíneo na região da pelve pode fazer os órgãos genitais ficarem mais irrigados, o que intensifica a sensibilidade e até o orgasmo.

Mas essa mesma irrigação provoca em algumas mulheres uma sensação meio desagradável depois da relação sexual. Além disso, algumas grávidas sentem cólicas durante o ato sexual ou depois do orgasmo.

Seus seios podem também estar mais sensíveis ou doloridos ao toque, especialmente no primeiro trimestre. O desconforto geralmente melhora, mas é possível que a sensibilidade permaneça. Para certas gestantes a mudança é ótima, enquanto para outras é desagradável e leva a nem quererem ser tocadas na região.

Avise o seu parceiro se alguma coisa incomodar, mesmo que seja algo que vocês sempre faziam juntos. Às vezes é preciso ajustar suas atividades eróticas e tentar outras formas de estimulação que sejam prazerosas para os dois.

Não tenho estado a fim de sexo desde que engravidei. Isso é normal?

Sim, é bem normal. É inevitável que as grandes mudanças por que seu corpo está passando afetem sua vida sexual em algum momento.

Algumas mulheres se sentem mais poderosas que nunca, ajudadas pelo fato de não ter de se preocupar com a contracepção e nem com a concepção, como na época das "tentativas". Mas outras ficam simplesmente cansadas ou enjoadas demais, principalmente no primeiro trimestre.

O segundo trimestre costuma ser marcado pelo reacendimento da libido. O desejo pode voltar a diminuir no terceiro trimestre, pelo desconforto da barriga ou pela ansiedade com a aproximação do parto.
Poderá um orgasmo induzir o parto?
O orgasmo liberta oxitocina que faz com que o útero sofra contrações. O sémen também contém prostaglandina que pode causar um efeito semelhante se for ejaculado na vagina nestas condições. Por isso, se estiver perto da altura do trabalho de parto ou perto da altura do parto, a probabilidade do orgasmo induzir o parto é alta. Porém, o orgasmo, naturalmente, poderá causa algumas cãibras, que durante uma gravidez normal – sem riscos – não tem problemas; mas comunique sempre este tipo de sintomas ao seu médico, ou mesmo outros que considerar menos usuais, é sempre melhor prevenir, ele verá o seu caso e a aconselhará de acordo com ele.
DST e gravidez, o que saber?
Caso desconfie ou saiba que esteve exposta a uma doença sexualmente transmissível, é muito importante que procure de imediato um médico e faça exames, pois poderá colocar a sua saúde e a do feto em risco.
O desejo dos homens muda durante a gestação das mulheres?
A maioria dos homens gosta das mudanças trazidas pela gravidez. Seus seios ficam maiores e surgem novas curvas.

Mas o desejo do seu parceiro pode ser prejudicado pela preocupação dele com sua saúde e com a do bebê, pela apreensão com a mudança que vai acontecer na vida de vocês, pelo medo de que o sexo machuque o bebê ou pelo desconforto de ter relações sexuais na presença do filho, mesmo que ele ainda não tenha nascido.

Caso o temor seja machucar o bebê, experimente levá-lo com você para conversar com o médico na próxima consulta, assim ele terá chances de tirar todas as dúvidas sobre a segurança do sexo na gravidez.

O sexo oral é seguro?

Na maior parte das vezes, o sexo oral não prejudica nem você nem o bebê, e muitos o consideram uma boa opção para quando a penetração não é recomendada por razões médicas.

É preciso só um pouco de atenção para não receber sexo oral durante a gravidez se seu parceiro estiver com um surto ativo de herpes labial ou se achar que tem um se formando. E se seu parceiro já teve qualquer manifestação de herpes no passado, o sexo oral deve ser evitado completamente no terceiro trimestre de gravidez, mesmo que não haja nenhum sintoma atual.


Masturbação durante a gravidez?
A masturbação é uma ótima forma de libertar stress e mesmo até de a aliviar a si e ao seu parceiro de muita tensão sexual acumulada. Masturbarem-se em conjunto poderá ajudar a diminuir a tensão e a ansiedade que possam sentir em relação ao coito. Mas se foi desaconselhada a ter sexo durante a gravidez também deverá evitar a masturbação, pois as contrações provocadas pelo orgasmo poderão desencadear um parto prematuro.
Sexo anal, é seguro durante a gravidez?
Geralmente o sexo anal não é muito recomendado durante a gravidez. O sexo anal poderá ser bastante desconfortável especialmente se sofrer de hemorróides relacionadas com a gravidez. Para além disso, o sexo anal pode facilitar infeções relacionadas com bactérias que passem do reto para a vagina. Se está proibida de fazer sexo durante a gravidez, o sexo anal também está incluído. Porém o sexo anal não causa nenhum mal direto ao bebé. E se realmente pretende fazê-lo deve de o fazer muito suavemente. Como parte das preliminares, peça ao seu parceiro para apenas brincar com um dedo  e certifique-se que está bem relaxada. A penetração deverá ser sempre algo confortável e bom, se assim não for, esqueça! Se decidir ter sexo vaginal depois do sexo anal, é muito importante que o seu parceiro lave muito bem o pênis com sabão antibacteriano - ou ainda melhor, que use um preservativo em ambas as situações -, isto para evitar tipos de infeções vaginais ou transmissão oral de E.Coli. 
Depois do bebé nascer, quando é que se pode ter relações sexuais?
Quer tenha tido um parto vaginal ou através de cesariana, o corpo necessita de tempo para curar. Usualmente, cerca de 4 a 6 semanas depois do parto, poderá voltar a ter relações sexuais, contudo, se fez uma episiotomia ou cesariana são necessários cuidados extra. Para evitar pressões nessas áreas, as posições onde ambos estejam lado a lado são as mais aconselhadas. Neste tipo de situação diz respeito à mulher partilhar com o seu parceiro se está preparada, e só deve fazer sexo depois das cicatrizes estarem saradas – o que pode variar de mulher para mulher. As secreções vaginais diminuem depois do parto, por isso uma vagina seca é comum durante o coito; neste caso é aconselhável usar um lubrificante à base de água.
Se, apesar de tudo, e de já estar sarada, estiver sem vontade ou demasiada cansada para sequer pensar em sexo, experimente manter a intimidade de outras formas: envie mensagens carinhosas ao seu parceiro, deixe alguns momentos do dia apenas para ambos - nem que seja um pouco antes de irem para a cama ou de manhã. Vão com calma e quando estiverem ambos preparados para o sexo, será natural, mas atenção, pois caso não desejem outro bebé em breve devem usar um método contracetivo.




















quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Reflexões acerca da atenção Pré-natal e seus impactos no processo de parturição


                                                                                                             
                                                  Por Iuri Mendes* e Théo Oliveira

              Durante o período gestacional, a mulher deve realizar o Pré-natal, que é a assistência prestada à gestante em uma Unidade de Saúde da Família, visando evitar problemas para a mãe e a criança, através de ações de prevenção e promoção da saúde. Neste acompanhamento o profissional responsável pela consulta (médico ou enfermeiro), dá instruções acerca da gestação, trabalho de parto e parto, além de solicitar exames para avaliação, diagnóstico e tratamento de problemas que podem ocorrer durante o período.
               As consultas devem ser iniciadas o quanto antes para que, além de um acompanhamento adequado, sejam feitos os exames necessários que garantirão a saúde da gestante e do bebê bem como a detecção de alguma doença ou disfunção, se houver. Uma atenção pré-natal de qualidade e humanizada é fundamental para a saúde do binômio mãe/filho.
              A orientação sobre o trabalho de parto deve fazer parte da assistência, durante o pré-natal sendo que este é um instrumento educativo de alto potencial para mulheres durante a gestação, porém as expectativas quanto ao tipo de parto está relacionada à maneira como as informações sobre o assunto estão disponibilizadas e acessíveis. Nesse sentido, muitas gestantes apresentam-se ansiosas e temerosas quanto ao momento do parto.
             As informações adequadas sobre os sinais de trabalho de parto são importantíssimas para o reconhecimento da gestante acerca do momento ideal para ir à Maternidade. Percebe-se, no entanto, que as pacientes vão à maternidade despreparadas para tal acontecimento, o que acarreta em estresse para a paciente, profissionais e até acompanhantes, que muitas vezes, são mais ansiosas até do que as parturientes, transmitindo assim, certo incomodo para todos os envolvidos no processo, inclusive para outras pacientes.
            As principais situações vivenciadas na Maternidade Municipal de Juazeiro-BA estão relacionas à indução do trabalho, realização de cesarianas e idade gestacional, que também se relaciona com o momento certo para indução e/ou cesariana. Pacientes e acompanhantes chegam com a idéia de que o parto deve ser logo induzido, mesmo não sendo o momento adequado, alguns até exigem um parto cesáreo, indo de encontro ao preconizado pelo Ministério da Saúde.
               Esses problemas podem ser frutos de fatores como: má orientação na assistência à gestante no Pré-Natal em sua Unidade de Saúde da Família, dogmas relacionados a cesarianas anteriores e influência de outros.
              Não saber reconhecer os sinais do parto e ser pega de surpresa é um dos temores que surgem. Esta insegurança do trabalho de parto nem sempre são inconfundíveis: por exemplo, a mulher pode não perceber o desprendimento do tampão mucoso, a bolsa d'água pode não se romper, a mulher, à espera das dores, pode não se dar conta das contrações e, deste modo, boa parte do trabalho de parto transcorre sem ser percebido; por outro lado, há os alarmes falsos: uma pequena perda de líquido, desprendimento do tampão, contrações regulares, ida para o hospital, retorno à casa porque o trabalho de parto ainda está muito no começo.
                 Neste contexto, é imprescindível para o enfermeiro estar a par de todos os momentos da gestação, pois com o conhecimento científico, atendimento humanizado e individualizado é que este profissional acolherá e orientará a mulher nesta fase de vida. De acordo com o Ministério da Saúde, além dos aspectos técnicos propriamente ditos, o preparo para o parto envolve, também, uma abordagem de acolhimento específico como medidas educativas da mulher e seu companheiro e/ou acompanhante, que poderá estar a seu lado durante o pré-natal, no decorrer do trabalho de parto e parto. Deve incluir o fornecimento de informações desde as mais simples, de onde e como o nascimento deverá ocorrer, o preparo físico e psíquico, idealmente uma visita à maternidade para conhecer suas instalações físicas, o pessoal e os procedimentos rotineiros, entre outros.
                Para o alcance desses objetivos se faz necessário que os profissionais de saúde envolvidos nesta fase importante da vida da mulher, em particular o enfermeiro, se envolva e comprometa-se com tais propostas, pois o processo de nascer envolve o respeito e acolhimento para com a gestante e seu filho amenizando as angústias e anseios presentes nesse momento, quebrando os paradigmas da assistência prestada, qualificando o momento do nascimento por uma abordagem humanizadora evitando a medicalização e o menosprezo às crenças adquiridas pela gestante durante a gestação, evitando um ambiente desumano à população citada.
                 As atitudes, a maneira como a parturiente usa o seu corpo, e o modo de se comportar durante o trabalho de parto dependem das informações recebidas no pré-natal no contexto socioeconômico e cultural na individualidade/subjetividade de cada mulher. Essa construção de informações importantes no ciclo gravídico-puerperalde muitas vezes é falho e é de responsabilidade apenas do enfermeiro da Estratégia de Saúde da Família, mas também ao paciente, acompanhante, Agente de Saúde e ao próprio serviço de saúde. Há o fato, para o enfermeiro, que a demanda para o serviço é alta, bem como a sobrecarga de trabalho e a desvalorização profissional, que ambos, de uma forma ou outra, afeta na qualidade do serviço.
                 Alguns pacientes não se interessam em procurar o serviço para acompanhamento, ficando assim despreparados e até com exames não realizados para apresentação no momento das consultas. Além da pouca orientação, há também o descaso por parte de alguns Agentes de Saúde em procurar as gestantes de sua área para orientar a procurar o serviço, além do fato de que muitos municípios não disponibilizam de estrutura mínima para realização de um bom trabalho.
                Diante desta situação, está clara a necessidade de esforço coletivo para a melhoria da qualidade da atenção pré-natal, de modo a garantir o atendimento integral e os requisitos básicos para promoção de atitudes e condutas favoráveis ao desenvolvimento adequado da gestação, para a evolução natural do trabalho de parto e parto, em um contexto de humanização da atenção.

Referências

Saúde e Beleza, 2009.http://dx.doi.org/10.1590/S0104-11692002000500007. 
Santana, TG; Brandao,CL; Castro, JBS; Tavares, EH. Orientação às gestantes sobre os períodos do trabalho de parto normal.
Oliveira, SMJV; Riesco, MLG; Miya, CFR  and  Vidotto, P. Tipo de parto: expectativas das mulheres. Rev. Latino-Am. Enfermagem [online]. 2002, vol.10, n.5, pp. 667-674. ISSN 0104-1169. 
RezendeHYPERLINK "javascript:PesquisaAutor();", JHYPERLINK "javascript:PesquisaAutor();"; Montenegro, CAB. Obstetrícia fundamental. 10ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006.http://dx.doi.org/10.1590/S0104-11692006000300016. 
 
Barros, SMO. Enfermagem no ciclo gravídico e puerperal. São Paulo:Manole, 2006.
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticos de Saúde. Área Técnica de Saúde da Mulher. Parto, aborto e puerpério: assistência humanizada à mulher/Ministério da Saúde, Secretaria de Políticas de Saúde, Área Técnica da Mulher. – Brasília: Ministério da Saúde, 2001.
Bezerra, MGA e Cardoso, MVLML. Fatores culturais que interferem nas experiências das mulheres durante o trabalho de parto e parto.Rev. Latino-Am. Enfermagem [online]. 2006, vol.14, n.3, pp. 414-421. ISSN 0104-1169. 
Simões SMF. O ser parturiente: um enfoque vivencial. Niterói (RJ): EdUFF; 1998. 

     
 * Texto construído durante o estágio supervisionado do Curso Bacharelado em Enfermagem da Universidade de Pernambuco.