quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Reflexões acerca da atenção Pré-natal e seus impactos no processo de parturição


                                                                                                             
                                                  Por Iuri Mendes* e Théo Oliveira

              Durante o período gestacional, a mulher deve realizar o Pré-natal, que é a assistência prestada à gestante em uma Unidade de Saúde da Família, visando evitar problemas para a mãe e a criança, através de ações de prevenção e promoção da saúde. Neste acompanhamento o profissional responsável pela consulta (médico ou enfermeiro), dá instruções acerca da gestação, trabalho de parto e parto, além de solicitar exames para avaliação, diagnóstico e tratamento de problemas que podem ocorrer durante o período.
               As consultas devem ser iniciadas o quanto antes para que, além de um acompanhamento adequado, sejam feitos os exames necessários que garantirão a saúde da gestante e do bebê bem como a detecção de alguma doença ou disfunção, se houver. Uma atenção pré-natal de qualidade e humanizada é fundamental para a saúde do binômio mãe/filho.
              A orientação sobre o trabalho de parto deve fazer parte da assistência, durante o pré-natal sendo que este é um instrumento educativo de alto potencial para mulheres durante a gestação, porém as expectativas quanto ao tipo de parto está relacionada à maneira como as informações sobre o assunto estão disponibilizadas e acessíveis. Nesse sentido, muitas gestantes apresentam-se ansiosas e temerosas quanto ao momento do parto.
             As informações adequadas sobre os sinais de trabalho de parto são importantíssimas para o reconhecimento da gestante acerca do momento ideal para ir à Maternidade. Percebe-se, no entanto, que as pacientes vão à maternidade despreparadas para tal acontecimento, o que acarreta em estresse para a paciente, profissionais e até acompanhantes, que muitas vezes, são mais ansiosas até do que as parturientes, transmitindo assim, certo incomodo para todos os envolvidos no processo, inclusive para outras pacientes.
            As principais situações vivenciadas na Maternidade Municipal de Juazeiro-BA estão relacionas à indução do trabalho, realização de cesarianas e idade gestacional, que também se relaciona com o momento certo para indução e/ou cesariana. Pacientes e acompanhantes chegam com a idéia de que o parto deve ser logo induzido, mesmo não sendo o momento adequado, alguns até exigem um parto cesáreo, indo de encontro ao preconizado pelo Ministério da Saúde.
               Esses problemas podem ser frutos de fatores como: má orientação na assistência à gestante no Pré-Natal em sua Unidade de Saúde da Família, dogmas relacionados a cesarianas anteriores e influência de outros.
              Não saber reconhecer os sinais do parto e ser pega de surpresa é um dos temores que surgem. Esta insegurança do trabalho de parto nem sempre são inconfundíveis: por exemplo, a mulher pode não perceber o desprendimento do tampão mucoso, a bolsa d'água pode não se romper, a mulher, à espera das dores, pode não se dar conta das contrações e, deste modo, boa parte do trabalho de parto transcorre sem ser percebido; por outro lado, há os alarmes falsos: uma pequena perda de líquido, desprendimento do tampão, contrações regulares, ida para o hospital, retorno à casa porque o trabalho de parto ainda está muito no começo.
                 Neste contexto, é imprescindível para o enfermeiro estar a par de todos os momentos da gestação, pois com o conhecimento científico, atendimento humanizado e individualizado é que este profissional acolherá e orientará a mulher nesta fase de vida. De acordo com o Ministério da Saúde, além dos aspectos técnicos propriamente ditos, o preparo para o parto envolve, também, uma abordagem de acolhimento específico como medidas educativas da mulher e seu companheiro e/ou acompanhante, que poderá estar a seu lado durante o pré-natal, no decorrer do trabalho de parto e parto. Deve incluir o fornecimento de informações desde as mais simples, de onde e como o nascimento deverá ocorrer, o preparo físico e psíquico, idealmente uma visita à maternidade para conhecer suas instalações físicas, o pessoal e os procedimentos rotineiros, entre outros.
                Para o alcance desses objetivos se faz necessário que os profissionais de saúde envolvidos nesta fase importante da vida da mulher, em particular o enfermeiro, se envolva e comprometa-se com tais propostas, pois o processo de nascer envolve o respeito e acolhimento para com a gestante e seu filho amenizando as angústias e anseios presentes nesse momento, quebrando os paradigmas da assistência prestada, qualificando o momento do nascimento por uma abordagem humanizadora evitando a medicalização e o menosprezo às crenças adquiridas pela gestante durante a gestação, evitando um ambiente desumano à população citada.
                 As atitudes, a maneira como a parturiente usa o seu corpo, e o modo de se comportar durante o trabalho de parto dependem das informações recebidas no pré-natal no contexto socioeconômico e cultural na individualidade/subjetividade de cada mulher. Essa construção de informações importantes no ciclo gravídico-puerperalde muitas vezes é falho e é de responsabilidade apenas do enfermeiro da Estratégia de Saúde da Família, mas também ao paciente, acompanhante, Agente de Saúde e ao próprio serviço de saúde. Há o fato, para o enfermeiro, que a demanda para o serviço é alta, bem como a sobrecarga de trabalho e a desvalorização profissional, que ambos, de uma forma ou outra, afeta na qualidade do serviço.
                 Alguns pacientes não se interessam em procurar o serviço para acompanhamento, ficando assim despreparados e até com exames não realizados para apresentação no momento das consultas. Além da pouca orientação, há também o descaso por parte de alguns Agentes de Saúde em procurar as gestantes de sua área para orientar a procurar o serviço, além do fato de que muitos municípios não disponibilizam de estrutura mínima para realização de um bom trabalho.
                Diante desta situação, está clara a necessidade de esforço coletivo para a melhoria da qualidade da atenção pré-natal, de modo a garantir o atendimento integral e os requisitos básicos para promoção de atitudes e condutas favoráveis ao desenvolvimento adequado da gestação, para a evolução natural do trabalho de parto e parto, em um contexto de humanização da atenção.

Referências

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 * Texto construído durante o estágio supervisionado do Curso Bacharelado em Enfermagem da Universidade de Pernambuco.

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